sábado, 9 de junho de 2012
Capítulo 3
A vontade de sair da cama neste domingo de chuva era quase inixistente.
Acordara com tremendas dores de cabeça, em parte derivadas ao tanto ter pensado no que fazer e noutra parte do não ter conseguido chegar a nenhuma conclusão.
Vesti um robe e caminhei até à porta onde se encontrava uma pequena caixa de chocolates com uma carta, abri-a:
'' Andreia, eu pretendia visitar-te, mas a tua mãe disse-me que querias estar sozinha. Envio-te esta pequena caixa onde se encontram os teus chocolates preferidos, para te levantar o ânimo. Espero que fiques bem, seja qual for o motivo.
Com amor,
Joel.''
Confesso que gosto daquela preocupação que o Joel sempre tem comigo, só lamento que ela não perceba que não vai passar de uma grande amizade.
Desci calmamente as escadas e ouvi ao longe um pequeno sussurro, aproximei-me e vi, claramente, de que se tratava de uma conversa telefónica do Cabeça Oca com alguém. Encostei-me à parede e ouvi-o sussurrar:
- Claro que podemos encontrar-nos, Serena. Sim, eu invento uma desculpa qualquer. Mas vá, fofinha, agora tenho mesmo de ir, depois falamos. Beijos.
Oh meu Deus, aquele descarada, desavergonhado, aquele sem cérebro, aquele perfeito ANORMAL a marcar um encontro com outra das '' les bacas locas''.
Desviei-me e num impulso gritei:
- Como é que te atreves ?!
Ele fez uma cara assustada e de seguida disse:
- O que foi, querida ?
- Não me chames querida! Afasta-te da minha mãe, vai ter com a Serena, sê feliz com ela! Mas sai desta casa, pára de infernizar as nossas vidas !
- Fofinha, eu sou teu padrasto, eu é que mando nesta casa.- disse-o num tom cínico, soltando um riso de gozo.
- Tu metes-me nojo.- afirmei-o com raiva e retirei-me daquele espaço.
A única pessoa que me compreenderia naquele momento era o André, que sente o mesmo que eu em relação ao padrasto, por isso, vesti um casaco comprido, calcei-me e saí de casa correndo, sem nem pegar num guarda-chuva e só parando a porta de sua casa.
- Deia ?- perguntou com tom de surpresa.
Repentinamente, lágrimas correram pela minha cara e misturaram-se com as gotas de água que ainda caiam do céu. Fui de encontro a seus braços, onde se formou um abraço que só mesmo o meu André me sabia dar.
Entrámos e eu deitei aquela confusão toda que permanecia em minha cabeça em palavras e ele ouviu-me, sem criticar ou opinar, tudo o que eu pensava, tudo o que estava a acontecer, as brigas com o Rodrigo e até as coisas com o Steven.
Nem eu sabia o que pensar e não estava, obviamente, à espera que ele decidisse as coisas por mim, mas o bom mesmo do dia de hoje, foi saber que os amigos verdadeiros ainda existem.
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