quinta-feira, 28 de junho de 2012

Capítulo 9






Coloquei as mãos no peito dele a afastei-o de mim e, consequentemente, dos meus lábios. Olhei para a Duffy, que se encontrava a observar todo aquele 'cenário'.
Os seus olhos encheram-se de lágrimas e mágoa, abanou a cabeça num gesto desaprovador e disse:
- Tu disseste que desistias dele pela nossa amizade. Tu disseste que nós valiamos mais!
Agarrou o colar e arrancou-o do seu pescoço, quebrando-o, atirou-o para o chão e quase gritou:
- És uma traidora.
Virou as costas e foi embora e eu olhei-a mas não corri atrás dela, pois conheço-a o suficientemente bem para saber que não a ia fazer persuadir-se e desculpar-me.
O Steven olhava para mim com admiração e confusão, não sabia o que se estava a passar, nem porque é que a Duffy tinha feito e dito aquelas coisas horríveis.
- O que se passa, Andreia ?
Olhei para ele e decidi-me a explicar-lhe tudo desde o ínicio, sem pensar nas consequências dos meus atos.
- Então ela gosta de mim?
- É...
Pegou-me nas mãos e deu um beijo em cada uma delas e saiu a correr da escola.
- S-STEVEN! ONDE VAIS ?!
Ele olhou para trás e sorriu-me.
Liguei ao André e contei-lhe tudo o que se havia passado ao qual ele só respondeu:
- Óh Andreia, como é que deixaste isto acontecer?
- Foi sem querer.
- Pois.
E desligou a chamada.
Peguei no colar que se encontrava despedaçado e coloquei-o no meu bolso. Retirei-me daquele lugar e dirigi-me a casa.
Eu encontrava-me ou sentia-me sozinha. Mais uma vez. E na solidão do meu quarto, encontrava-me abraçada à minha almofada, até que ouvi alguém bater na minha porta.
- Quem é ?
A pessoa abriu a porta e pude ver que era a minha mãe.
Levantei-me rapidamente.
- Mãe ? Passa-se alguma coisa ?
Sentou-me na minha cama e abraçou-me, como só uma mãe sabe abraçar um filho.
Passei-lhe a mão pelo cabelo e acariciei-lhe a face. Tratei-a como se os papéis estivessem invertidos e eu fosse a mãe a cuidar da filha.
- Desculpa ter sido uma mãe terrível, nestes últimos tempos. Eu sei que não tenho tido muito tempo para ti, que tenho prestado mais atenção ao Rodrigo, mas...
- Óh mãe, não precisas de pedir desculpa, - interrompi-a. - tu és uma ótima mãe, és um exemplo para muita gente, eu sei que tu também queres ter momentos com o teu marido...
- POR FAVOR, NÃO VÁS EMBORA COM O TEU PAI!- disse-o ela, quase desesperada.
- Mãe... E-eu... Eu não sei... Não tenho tido tempo para pensar e... Tem ocorrido muita coisa na minha vida... Mas... Mas eu também não te faria algo assim... Eu preciso de mais tempo...
- Filha, - passou-me a mão sobre a cara - o que se passa? É rapazes ?
- Não é nada, mãe...
- Podes falar comigo.
- Eu sei!
- Bom, vou-te deixar sozinha...
- Obrigada.- sorri.
Eu sentia uma profunda irritação comigo mesma, por ceder aos encantos de Steven e ter sido uma terrível amiga. Pus os phones e ouvi ' Astronaut ' dos Simple Plan. Adormeci, por fim...
No dia seguinte, quando cheguei à escola não podia acreditar.
Deparei-me com o Steven e a Duffy de mãos dadas e a beijarem-se como se não houvesse amanhã. Subitamente senti uma volta à barriga, um enjoo, uma raiva e uma tristeza. Não me consegui controlar. Fui até eles.
- STEVEN ?! DUFFY ?! Vocês ... ?! AHHH, O QUE RAIO ESTÃO A FAZER ?! - gritei.
- Finalmente tenho o que quero. - afirmou a Deolinda.
- É, tu não acreditaste mesmo que eu te amava, pois não? AHAHAH !- riu, cínicamente o Steven e a Deolinda acompanhou-o.
- Como é que foram capazes ?- inquiri, com as lágrimas nos olhos.- Tu eras a minha melhor amiga, Duff... E agora... agora não és NADA ! Eu nunca te faria isto, por mais magoada que estivesse contigo. Se há qui uma traidora és tu ! Eu errei, sim, mas reconheci ! E estava disposta a esquecer o Steven para sempre. Por nós, por uma amizade como a nossa, ÚNICA !
A Duffy estava séria e de repente começou-se a rir, histericamente:
- AHAHAHAHAHAHA, que discurso tão bonito. - gozou.
O André havia chegado e ouviu tudo, sem se meter. Olhei para ele, já com os olhos em lágrimas pesadas e soltei, rouca de tristeza:
- Também me vais abandonar ?- enquanto o disse, duas lágrimas correram-me pela cara.
Chegou perto de mim e limpou-me as lágrimas.
- Alguma vez te abandonei ?- sorriu.
Abracei-o e saímos dali. Faltámos a todas as aulas, o dia foi nosso. Sentia-me mal, mas a companhia do André fazia-me sentir bem.
- Obrigada, melhor amigo.
- Não agradeças, melhor amiga.- abraçou-me e deu-me um beijo na testa.

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