sexta-feira, 22 de junho de 2012

Capítulo 7





O dia decorreu num ápice, porque como todas as coisas boas, não durou para sempre. Acompanhei a Duffy a casa e dirigi-me à minha casa, enquanto segurava o meu cabelo com um elástico, num puxo básico em cima da cabeça. Ouvi uns passos atrás de mim e depois um barulho de rodas,que me pareciam ser de skate, mas ignorei. Quando senti alguém puxar-me...
- Parece que me andas a evitar.
- Não te ando a evitar, Steven.- pela primeira vez falei com ele sem gaguejar.
- Andas sim. Ontem tivemos uma tarde tão boa e depois, parece que mudaste completamente comigo.
Permaneci em silêncio, pois não sabia o que dizer. Todas as palavras que saíam da boca dele eram verdadeiras e justificadas. Sabia que se dissesse algo que demonstra-se afeto/amor, podia ser crucial.
-Steven, eu...
Fui interrompida por um longo beijo que me cortou a respiração e que eu, por mais que quisesse, não conseguia evitar.
Afastei-o e afirmei:
- Isto não podia ter acontecido.
Virei-lhe as costas e comecei a andar num passo acelerado. Ele correu atrás de mim.
- NÃO, ANDREIA. Não vais voltar a deixar-me sem me dares justificações. Se isto aconteceu foi porque ambos o quisemos. Se não podia ter acontecido, explica-me porquê.
Virei-me e olhei-o diretamente nos olhos:
- Desculpa.
Haviamos chegado a minha casa e eu entrei, rapidamente. Deitei-me no sofá e abracei-me a uma almofada. Fitei o teto e sorri para o nada. Eu sentia-me maravilhada e horrorizada. Aquele misto de sentimentos havia voltado. Eu não conseguia fazer funcionar ao mesmo tempo o meu cérebro e o meu coração. Algures dentro de mim uma voz dizia que eu fora uma péssima amiga por ter deixado que aquele beijo tivesse acontecido e outra voz dizia que eu não podia evitar que o amor acontecesse e se demonstrasse através de atos como aquele.
Agarrei com força o colar que a Duffy me havia dado ' Perdoa-me ', disse.
Precisava de refrescar as ideias e naquele dia estava bastante calor, vesti um biquini, peguei numa toalha e num chapéu e saí de casa. Voltei à praia onde tinha estado com a Duffy, de manhã e avistei ao longe uma figura que me era bastante familiar. Quando me aproximei vi, claramente que era o André que, sentado numa rocha, atirava pequenas pedras ao mar, revelando uma tristeza e mágoa  invulgares nele.
Estendi a toalha e dirigi-me à rocha onde ele estava. Pus-me atrás dele e abracei-o. Quando olhou para trás, foram notórias as lágrimas que corriam pela sua face como uma chuva no deserto.
Quase sem acreditar na situação, sentei-me a seu lado e virei-lhe a cara de modo a que ele pudesse olhar-me nos olhos.
- O que se passa, Dré ?- disse num tom sádico, pois eu estava-me a sentir triste por ele.
Eu nunca tinha visto o André a chorar. Calculei que fosse uma situação bastante grave. Uma situação arrasadora para ele.
- Não é nada, não te preocupes.- foi a sua resposta.
- PREOCUPO SIM! És o meu melhor amigo, o meu irmão. Eu não gosto de te ver assim e não vou desistir de saber o que se passa.
Suspirou e disse, simpaticamente.
- Tu nunca mudas, pois não, mana ?
-Óbvio que não.- sorri.
O André contou-me que ele e a Sara haviam acabado e essa era a razão daquela tristeza toda. E o porquê ? Ele encontrou-a com outro... E nem acreditei quando soubem quem era o outro- o Joel. Que se fingia de apaixonado por mim e andava com a namorada do meu melhor amigo.
Determinada a desabafar com alguém sobre o que se passara naquele dia. Decidi contar ao André.

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