quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Capítulo 13









Acordei naquele a que a minha mãe chamava de ''o melhor para ti neste momento''. Pensava repetidamente nas palavras '' caíste de propósito'' e ouvia o zumbido do riso cínico e irritante do rapaz que falava comigo. A minha cabeça estava um caos, um furacão. Palavras e possibilidades de desvandar o que o sinistro ser me havia dito vinham de toda a parte, as mais diferentes ideias inundavam a minha cabeça de histórias, em que o fim era sempre o mesmo, a minha morte.
- DOUTOR MARCELO!
Preocupado, entrou de rompante na sala onde me encontrava.
- O que se passa?!
- Eu... Eu tentei...?
- Oh meu Deus.
- RESPONDA-ME. Eu tentei matar-me?! Acabar com a minha vida?! Suicidar-me?!- lágrimas caíram da minha face.
- Menina Gonçalves, isto é um assunto delicado, vou chamar-lhe um colega meu com mais experiência nestes assuntos.- respondeu, hesitante.
- NÃO! RESPONDA-ME SÓ A ISSO, POR FAVOR.
- A minha resposta é sim.- saiu do quarto após isto.
Agarrei os meus cabelos com toda a minha força e sentei-me toda encolhida, balançando-me para a frente a para trás.
- Não, não, não, não, não, não... Não é possível... Eu, eu não seria capaz...
Com a cabeça entre os joelhos tentei acalmar-me. Mas logo os pensamentos sobre o porquê de o fazer se apoderaram de mim.
Entrou um estranho sujeito no espaço onde me encontrava.
- Boa tarde, sou o Dr. Jerónimo.
Levantei a cabeça e fitei-o.
- É o senhor o ''colega com mais experiência nestes assuntos''?
Deu uma gargalhada falsa e forçada.
- Sou sim, querida.
- O que quer?!
- Ajudá-la.
- Não preciso de ajuda.
- Precisa sim, passou por algo difícil.
- E quê? Você é um anjo da guarda?- praticamente cuspi as palavras.
Lançou-me um olhar malícioso e agarrou-me no braço.
- OUÇA O QUE EU LHE ESTOU A DIZER. NÃO SEJA INCONVENIENTE PORQUE EU ESTOU A TRATÁ-LA DEVIDAMENTE.
- Está bem! Mas largue-me!
- Muito melhor assim.- sorriu e deu-me uma pancadinhas amigáveis na cabeça.
Revirei os olhos e disse:
- Ouça, Dr. Jerónimo, como me pode ajudar?
- Eu sou psquiatra e como tal sei...
- O QUÊ? Psiquiatra? Acha que sou doida?!- revoltei-me.
- Não, nada disso. Mas tentou suicidar-se, isso é algo relevante numa adolescente com a sua idade, como pode compreender...
Encostei-me à cama.
- Eu sou normal. Não sei porque tentei fazer ''isso''.
- Ninguém sabe. Mas um dia você irá recuperar a sua memória e saberá.
- Como tentei fazê-lo?- inquiri, reticente.
- Comprimidos, tomou 70, veja lá. A sua sorte foi que 60 deles eram para dormir. Quando eles fizeram efeito você estava em pé e caiu, batendo com a cabeça.
'' MEU DEUS!'', o meu cérebro gritava, a cabeça doía-me, como se 1000 alfinetes estivessem a ser postos lá, comecei a ver tudo à volta rodar.
- Não me estou a sentir bem.
- Chamem a enfermeira!- gritou.
- O que se passa comigo?- falei por entre os dentes.
- Estás muito fraca.
Injetaram-me uma substância na veia e fiquei rapidamente melhor.
- Tem uma visita, Menina Andreia.- afirmou a simpática enfermeira, sorrindo.
- Quem é?- sorri também.
- André.
Mordi o lábio.
- Mande-o entrar, por favor.
Aqueles olhos verdes iluminaram, de imediato o quarto.
- A-andré...
- Ele é um falso, Deia, tens de acreditar em mim.
- Ai, eu nem sei em que acreditar. Tanta gente que se deve andar a aproveitar da minha inocência...
- Eu não, tu sabes. Vá lá, tu consegues lembrar-te, estavamos os dois na praia, tu estavas a reconfortar-me porque a minha namorada tinha-me traído com O JOEL! Abraçaste-me e disseste que podia contar sempre contigo, passados uns dias aconteceu-te a ti algo mau e eu nunca te deixei, passamos o dia juntos, de novo na praia, agradeceste-me por estar contigo, disseste que te faço sentir bem. Andreia, eu sei que é difícil, mas poça, estou a contar-te a verdade, tens de acreditar em mim!- lágrimas caíam enquanto ele falava.
Sem me conseguir segurar, chorei também. Memórias e imagens apareceram como do nada. Agora não havia skates ou ou colares partidos. Simplesmente duas pessoas abraçadas na praia, correndo uma atrás da outra, caíndo na areia e rindo às gargalhadas de aves que pairavam no ar. Essas duas pessoas eram claramente eu e o André.
- Eu lembro-me.- soluçando.
Chegou ao pé de mim e abraçou-me forte e eu algures dentro de mim reconheci esse abraço. Um abraço de melhor amigo.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Capitulo 12








  - Hahaha, és mesmo muito parva ! Achaste mesmo que te amava? Obrigado querida Andreia ! Consegui o que mais queria devido à tua insignificância e estupidez. E o melhor ?! Tu perdes a memoria após o teu " incidente " e só te lembras de mim, e do meu skate não é? HAHAHA QUE PATÉTICA ! Agora acreditas em tudo o que te contam ! Dizem-te que amas quem não amas, tens amigos que odiavas, e tu sem saber nadinha. Que ignorante meu amor HAHAHA ! Nunca pensei...
  - QUEM ÉS TU?! ONDE ESTÁS ?! O QUE QUERES DE MIM ?!
  - O que eu queria tu já me deste.
  - O QUE É QUE TU SABES SOBRE MIM ?
  - HAHAHAHAH
  Aquele riso sinico dava-me arrepios. À minha volta uma sala completamente vazia, escura, sem entrada nem saida. De onde vinha aquela voz? Quem seria ? O Joel ? O André ? Não me parecia ser nenhum deles. De repente começaram a cair mil imagens como que do ceu, um skate, pulseiras partidas, beijos, uma praia.... Não via rostos, corpos, nada...
  - Consegues ver-me fofinha ?
  - QUEM ÉS ? - as lágrimas escorriam pela minha cara a a minha voz parecia voltar para mim como eco entre montanhas.
  - Eu sou o teu amado, nao te lembras ?
  - Joel ?
  - HAHAH! Esse é o teu pretendente , que por sinal roubou a namorada do teu melhor amigo, lembras-te amor ?
  - O qu... o quê ? O meu melhor amigo... - aquela voz parecia contar-me a minha vida, e ao mesmo tempo, rir-se do meu desespero naquela situação. Quem seriam aqueles de quem ele falava? - o André !
  - Sabias que se " adormeces" num sonho, nao acordas mais ?
  - O que queres dizer com isso ?
  - Era o que tu querias... Dormir... Para sempre... HAHAHAHAH
  - NAO QUERIA NADA ! Eu...eu... NAO QUERIA NAO
  - Andreia, diz-me: porque achas que estás no hospital ?
  - Eu... eu ... Eu caí ! E bati com a cabeça !
  - Pois caíste, mas por vontade própria ! HAHAHAH ! Vá, eu vou ajudar-te a concretizar o teu sonho.
  O chão abriu de repente e eu senti uma força a puxar-me para aquele buraco.
  - PÁRA ! O QUE ESTÁS A FAZER ?!
  -HAHAHAHAHAH
  - PÁRA ! EU NAO QUERO...
  No vazio, o som de uma maquina assinalava o que parecia ser o meu batimento cardiaco, lento, leve, quase morto, acompanhado das vozes de seres humanos em panico gritando o meu nome.
  -  ANDREIA ! 
  - T... t... tu ?
  - Sou eu, o André, lembras-te ?
  - Não sei...
  - Andreia, meu amor ! Estava a ver que te perdia...
  - Nunca me tiveste pois nao Joel ? - reconhecera aquela cara, era  sem duvida o Joel. - mãe, podes sair ?
  - Ham... está bem ...
  - Andreia o que queres dizer ? Eu amo-te e tu amas-me !
  - O QUÊ ? VOCÊS NUNCA ANDARAM NA VIDA !- o André mostrava uma cara  furiosa, e algumas lagrimas enchiam os seus olhos verdes que eu gostava imenso.
  - Ora essa André, tu só estás com ciumes ! Sabes bem que nós andamos À dois anos, e nos amamos imenso ! Pára de me tentar roubar a namorada !
  - And... André ? -  já nao sabia em que acreditar naquele momento. - sai por favor...
  Os seus olhos desabaram e ele retirou-se sem dizer uma palavra. Lá fora ouvi um grito de desespero que parecia maior que os meus todos juntos. Senti um leve beijo, junto de um sorriso e adormeci profundamente...

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Capítulo 11






O meu mundo desabara bem à frente dos meus olhos. Não me lembrava se era feliz ou triste, não tinha uma personalidade formada e estava perdida dentro do meu próprio ser. Numa vazia cama de hospital, pessoas que seriam da minha suposta família falavam agitadas e nervosas, com um ar preocupado. Olhavam-me com se eu fosse uma pobre coitada que nem o seu próprio nome sabia.
- Párem!- gritei.
Instalou-se um largo e súbito silêncio, ao que a minha mãe interrompeu:
- O que se passa, querida?
- O que se passa?! O que se passa é que eu não sei quem sou, quem conheço, quem amo!
Engoliu em seco e não proferiu uma palavra que fosse.
O médico entrou na sala onde me encontrava e pediu que todos se retirassem, em seguida dirigiu-se a mim e disse:
- Veja se consegue descansar, menina Gonçalves.
- Tentarei...
Saiu.
No meu telemóvel marcavam 3h quando olhei para ele, no meio da noite. 13 chamadas perdidas de alguém que eu nomeei como '' melhor amigo @ '' nos contactos. Mesmo sabendo que provavelmente estaria a dormir àquela hora, liguei-lhe.
- OMG, ANDREIA? JÁ TE LEMBRAS DE MIM?
- Não.
- ESTOU TÃO PREOCUPADO CONTIGO!
- Acredito que sim. Olha, quem é a Deolinda? Tenho umas mensagens deveras intrigantes dela.
- Oh... Ela... Ela... Ela é... Era...
- Desembucha.
- Era a tua melhor amiga.
Um silêncio instalou-se e só me veio uma coisa à cabeça ''morte''.
- Porque ''era''?
- Vocês chatearam-se.
Suspirei com uma parte de alívio por não ser o que eu pensava.
- P-p-porquê?
- Ah! Não interessa.
- André!
- Andreia!
- Ok, xau.
- Espe...
Desliguei a chamada, interrompendo-o.
Levei as mãos à cara e reparei nos tubos que se encontravam em ambos os meus pulsos, num ato de raiva e revolta com o que sucedera, arranquei-os a ambos, levantei-me furtivamente da cama. Ainda com a ''bata'' de hospital, saí do quarto a correr, olhando para todo o lado, procurando uma saída possível.
Saí do hospital e fui até um parque perto dele, sentia-me fraca, deitei-me em baixo de uma árvore e adormeci.
(...)
Acordei com um encantador, com uns olhos castanhos brilhantes e um sorriso perfeitamente brilhante a olhar para mim.
- Então, não te lembras de mim.- sorriu.
- Não.- sorri.
- Sou o Joel, o teu namorado.
O meu pensamento congelou e tentei lembrar-me de momentos passados com ele, tudo o que me veio à memória foi um colar com símbolo de infinitos partido e um rapaz com um skate. Não me parece que nenhum deles se encaixe com o Joel.
- Andas de skate?
- O quê?- inquiriu, confuso.- Não!
- Oh...
- Se quiseres aprendo por ti, linda.
- Talvez um dia.- Pisquei-lhe o olho.
Chegou perto de mim e acariciou-me o cabelo, quando me ia a beijar alguém gritou: '' Não! ''
- O que queres, André?!
- Estragar o momento.- um sorriso cínico formou-se.
- Não te atrevas a...
- O QUE SE PASSA?!- perguntei.
- Passa-se que te amo.- respondeu o André.
O meu batimento cardíaco acelerou, não sabia o que se passara. Não conhecia nenhum daqueles rapazes. Não sabia as suas intenções comigo ou que sentimentos nutria por eles. A dúvida apoderou-se da minha mente, lentamente perdi os sentidos. A última imagem que vi foi o André a correr até mim.



Capitulo 10








    - Andreia, Andreia ? Estás acordada ? OH MEU DEUS MINHA FILHA ESTAVA A VER QUE TE PERDIA, NAO PODIA ACREDITAR !
    Acordei subitamente num local desconhecido, com algumas figuras humanas a minha volta. Quando me apercebi estava  numa cama de hospital desatei aos gritos e levantei-me, mas sem sucesso. Comecei a chorar sem saber bem o porquê, nem quem era de verdade. Chorei até os meus olhos esvaziarem, doía-me tudo e o desespero subira-me à cabeça, como droga. Uma mulher, que se entitulava de minha mãe explicou-me quem era, e " apresentou-me " o meu pai, a sua namorada que se retiraram pouco depois. O  Doutor Marcelo explicou que devido às minhas condições fisicas e psicologicas teria de ficar uns dias no hospital para ser acompanhada.
    - Acompanhada? Por que raio ??
    - A menina não está em condições de ir para casa até recuperar grande parte da sua memória, para evitar acidentes como este.  adolescência pode ser uma fase muito complicada para os jovens e...
    -Mas que acidentes? Porque é que eu estou num hospital? Eu odeio hospitais !
    - Querida... É melhor ouvires o que o doutor Marcelo te quer dizer. As crises na adolescência são perfeitamente normais e levam várias vezes a tendências suicidas. Não quero apanhar outro susto destes, quase me ias matando de coração ! Desta vez ficaste em coma mas quem sabe o que pode acontecer na proxima ?
    - Creio que a sua filha não se lembre de  nada que aconteceu na sua vida, especialmente os últimos acontecimentos...
    - MAS QUE SUSTO ? QUE ACONTECIMENTOS ? PORQUE RAIO É QUE EU ESTOU AQUI ?!
    A minha mãe começou a chorar e o Doutor Marcelo acompanhou-a para fora do quarto. O telemovel tocou minutos depois.
    - Estou ?
    - ANDREIA ! TU ACORDASTE ! TU ESTÁS BEM? TENS MUITOS FERIMENTOS ?
    - QUEM ÉS TU E O QUE QUERES DE MIM ? - comecei a chorar ao telefone. Não entendia porque não me lembrava de nada, parecia tudo tao injusto.
    - Andreia, tu.... tu nao te lembras de mim ? Sou o André, o teu melhor amigo !
    Desliguei o telefone ao ver três raparigas entrarem no quarto e começando a " chorar " de uma maneira muito esquisita.
    - Andreia querida ! Somos nós, a Serena, a Daniela e a Viviana. Não te lembras de nós ? Somos as tuas melhores amigas desde sempre ! Deixa lá, estaremos aqui para tudo o que precisares, e para te ajudar-mos a recuperares a memoria. Agora temos de ir, porque a hora das visistas acabou. Ta ta meu amor.
     Não sabia o que dizer sobre aquilo que ocorrera. Não sabia o motivo dos meus ferimentos, quem eram os meus amigos, as pessoas. Pedi à enfermeira para ligar a televisão e deixei-me adormecer no vazio do meu mundo.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Capítulo 9






Coloquei as mãos no peito dele a afastei-o de mim e, consequentemente, dos meus lábios. Olhei para a Duffy, que se encontrava a observar todo aquele 'cenário'.
Os seus olhos encheram-se de lágrimas e mágoa, abanou a cabeça num gesto desaprovador e disse:
- Tu disseste que desistias dele pela nossa amizade. Tu disseste que nós valiamos mais!
Agarrou o colar e arrancou-o do seu pescoço, quebrando-o, atirou-o para o chão e quase gritou:
- És uma traidora.
Virou as costas e foi embora e eu olhei-a mas não corri atrás dela, pois conheço-a o suficientemente bem para saber que não a ia fazer persuadir-se e desculpar-me.
O Steven olhava para mim com admiração e confusão, não sabia o que se estava a passar, nem porque é que a Duffy tinha feito e dito aquelas coisas horríveis.
- O que se passa, Andreia ?
Olhei para ele e decidi-me a explicar-lhe tudo desde o ínicio, sem pensar nas consequências dos meus atos.
- Então ela gosta de mim?
- É...
Pegou-me nas mãos e deu um beijo em cada uma delas e saiu a correr da escola.
- S-STEVEN! ONDE VAIS ?!
Ele olhou para trás e sorriu-me.
Liguei ao André e contei-lhe tudo o que se havia passado ao qual ele só respondeu:
- Óh Andreia, como é que deixaste isto acontecer?
- Foi sem querer.
- Pois.
E desligou a chamada.
Peguei no colar que se encontrava despedaçado e coloquei-o no meu bolso. Retirei-me daquele lugar e dirigi-me a casa.
Eu encontrava-me ou sentia-me sozinha. Mais uma vez. E na solidão do meu quarto, encontrava-me abraçada à minha almofada, até que ouvi alguém bater na minha porta.
- Quem é ?
A pessoa abriu a porta e pude ver que era a minha mãe.
Levantei-me rapidamente.
- Mãe ? Passa-se alguma coisa ?
Sentou-me na minha cama e abraçou-me, como só uma mãe sabe abraçar um filho.
Passei-lhe a mão pelo cabelo e acariciei-lhe a face. Tratei-a como se os papéis estivessem invertidos e eu fosse a mãe a cuidar da filha.
- Desculpa ter sido uma mãe terrível, nestes últimos tempos. Eu sei que não tenho tido muito tempo para ti, que tenho prestado mais atenção ao Rodrigo, mas...
- Óh mãe, não precisas de pedir desculpa, - interrompi-a. - tu és uma ótima mãe, és um exemplo para muita gente, eu sei que tu também queres ter momentos com o teu marido...
- POR FAVOR, NÃO VÁS EMBORA COM O TEU PAI!- disse-o ela, quase desesperada.
- Mãe... E-eu... Eu não sei... Não tenho tido tempo para pensar e... Tem ocorrido muita coisa na minha vida... Mas... Mas eu também não te faria algo assim... Eu preciso de mais tempo...
- Filha, - passou-me a mão sobre a cara - o que se passa? É rapazes ?
- Não é nada, mãe...
- Podes falar comigo.
- Eu sei!
- Bom, vou-te deixar sozinha...
- Obrigada.- sorri.
Eu sentia uma profunda irritação comigo mesma, por ceder aos encantos de Steven e ter sido uma terrível amiga. Pus os phones e ouvi ' Astronaut ' dos Simple Plan. Adormeci, por fim...
No dia seguinte, quando cheguei à escola não podia acreditar.
Deparei-me com o Steven e a Duffy de mãos dadas e a beijarem-se como se não houvesse amanhã. Subitamente senti uma volta à barriga, um enjoo, uma raiva e uma tristeza. Não me consegui controlar. Fui até eles.
- STEVEN ?! DUFFY ?! Vocês ... ?! AHHH, O QUE RAIO ESTÃO A FAZER ?! - gritei.
- Finalmente tenho o que quero. - afirmou a Deolinda.
- É, tu não acreditaste mesmo que eu te amava, pois não? AHAHAH !- riu, cínicamente o Steven e a Deolinda acompanhou-o.
- Como é que foram capazes ?- inquiri, com as lágrimas nos olhos.- Tu eras a minha melhor amiga, Duff... E agora... agora não és NADA ! Eu nunca te faria isto, por mais magoada que estivesse contigo. Se há qui uma traidora és tu ! Eu errei, sim, mas reconheci ! E estava disposta a esquecer o Steven para sempre. Por nós, por uma amizade como a nossa, ÚNICA !
A Duffy estava séria e de repente começou-se a rir, histericamente:
- AHAHAHAHAHAHA, que discurso tão bonito. - gozou.
O André havia chegado e ouviu tudo, sem se meter. Olhei para ele, já com os olhos em lágrimas pesadas e soltei, rouca de tristeza:
- Também me vais abandonar ?- enquanto o disse, duas lágrimas correram-me pela cara.
Chegou perto de mim e limpou-me as lágrimas.
- Alguma vez te abandonei ?- sorriu.
Abracei-o e saímos dali. Faltámos a todas as aulas, o dia foi nosso. Sentia-me mal, mas a companhia do André fazia-me sentir bem.
- Obrigada, melhor amigo.
- Não agradeças, melhor amiga.- abraçou-me e deu-me um beijo na testa.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Capitulo 8




       Estava deitada à muito e não conseguia parar de pensar nas palavras do André : “ Deia , eu acho que tens de ter cuidado . A Duff gosta do Steven mais do que qualquer pessoa , acredita em mim . Acho que vai ficar muito magoada se descobrir que ele se atira a ti e te beija frequentemente “ .
       Olhei para as horas marcadas no meu telemovel : 03h06 . Não conseguia adormecer com a confusão que ia na minha cabeça , o Steven , o Rodrigo , o Joel a Duffy e o André . Só me apetecia meter-me num buraco e só sair quando tudo se resolvesse . Passados alguns minutos , o telemovel começou a vibrar para dar sinal de uma chamada do  Steven . Aquela que recusei assim que vi “ Steven Royal “ no ecrã . Ele insistiu e ligou mais umas oito vezes , até que mandou uma mensagem  : “ Andreia ,  nao é por recusares as minhas chamadas que nao me ouves . Estou à porta de tua casa , vem ter comigo “ .
       Saí de casa com os meus calções e uma camisola de cavas que usava como pijama . Fiquei parada à porta durante alguns segundos  , até ele acabar com aquele silêncio meio constrangedor :
       - Andreia , tu andas a evitar-me e eu sei disso . Tivemos uma tarde quase perfeita , se não fosse a tua mãe e depois começas a inventar desculpas para nao ires a minha casa e a evitar-me . acho que mereço saber o que se passa , não ?
       - Não , porque eu não te ando a evitar nem a inventar desculpas Steven . E se é isso que pensas de mim , que evito os meus problemas , acho melhor que te vás embora .
       - Então eu sou um problema ?! Desculpa mas eu não sabia disso .
       - N-não ...
       - Então vem a minha casa amanhã , como andas a evitar fazer . Ou então explica-me porque me andas a evitar , pode ser ?
       - Desculpa . Mas os meus melhores amigos têem os seus problemas e eu tenho que estar presente para eles .
        - Andreia ...
       - Desculpa . – interrompi-o
       Virei as costas , e entrei em casa . Deitei-me na minha cama e as lagrimas  começaram a cair-me da cara . Tinha uma sensação que o Steven  sentia por mim o mesmo que eu sentia por ele , mas ao mesmo tempo medo que ele quisesse apenas avançar e depois largar-me . Aquela insegurança toda corroia-me por dentro , com medo que ele me quisesse magoar . Mas ainda havia a Duffy , o problema da Duffy gostar do Steven .
       Acordei , vesti umas jeans cinzentas , uma t-shirt dos marron 5 e um casaco preto . Penteei o cabelo , arrumei a mochila à pressa e saí num ápice . Cheguei à escola na hora do toque , e apressei-me até à sala , onde iriamos ter matemática . Ouvi o Joel a falar-me , e apeteceu-me mandar-lhe um estalo . Ignorei-o a aula toda e no final ele seguiu-me até ao bar .
       - Deia , o que se passa ?
       - Não me chames Deia ! Esse nome é para amigos , não para pessoas parvas que andam enrolados  com raparigas que têm namorado . Porque caso nao saibas , aquela rapariga com quem estiveste , ERA NAMORADA DO ANDRÉ !
       Entrei na casa de banho dando-lhe um empurrão . Confesso que estava perturbada por descobrir que ele na verdade não gostava de mim , mas penso que seja por associar a mentira do Joel aos possiveis sentimentos do Steven por mim . A Duffy entrou a seguir na casa de banho , e disse-me para esperar por ela nas bancadas do campo .
       Quando saí bati contra o Steven  . Ele agarrou-me e disse que eu não podia continuar a fugir daquilo que “ nós “ tinhamos e beijou-me longamente . O pior da situação que a Duffy tinha acabado de sair quando isso aconteceu ...

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Capítulo 7





O dia decorreu num ápice, porque como todas as coisas boas, não durou para sempre. Acompanhei a Duffy a casa e dirigi-me à minha casa, enquanto segurava o meu cabelo com um elástico, num puxo básico em cima da cabeça. Ouvi uns passos atrás de mim e depois um barulho de rodas,que me pareciam ser de skate, mas ignorei. Quando senti alguém puxar-me...
- Parece que me andas a evitar.
- Não te ando a evitar, Steven.- pela primeira vez falei com ele sem gaguejar.
- Andas sim. Ontem tivemos uma tarde tão boa e depois, parece que mudaste completamente comigo.
Permaneci em silêncio, pois não sabia o que dizer. Todas as palavras que saíam da boca dele eram verdadeiras e justificadas. Sabia que se dissesse algo que demonstra-se afeto/amor, podia ser crucial.
-Steven, eu...
Fui interrompida por um longo beijo que me cortou a respiração e que eu, por mais que quisesse, não conseguia evitar.
Afastei-o e afirmei:
- Isto não podia ter acontecido.
Virei-lhe as costas e comecei a andar num passo acelerado. Ele correu atrás de mim.
- NÃO, ANDREIA. Não vais voltar a deixar-me sem me dares justificações. Se isto aconteceu foi porque ambos o quisemos. Se não podia ter acontecido, explica-me porquê.
Virei-me e olhei-o diretamente nos olhos:
- Desculpa.
Haviamos chegado a minha casa e eu entrei, rapidamente. Deitei-me no sofá e abracei-me a uma almofada. Fitei o teto e sorri para o nada. Eu sentia-me maravilhada e horrorizada. Aquele misto de sentimentos havia voltado. Eu não conseguia fazer funcionar ao mesmo tempo o meu cérebro e o meu coração. Algures dentro de mim uma voz dizia que eu fora uma péssima amiga por ter deixado que aquele beijo tivesse acontecido e outra voz dizia que eu não podia evitar que o amor acontecesse e se demonstrasse através de atos como aquele.
Agarrei com força o colar que a Duffy me havia dado ' Perdoa-me ', disse.
Precisava de refrescar as ideias e naquele dia estava bastante calor, vesti um biquini, peguei numa toalha e num chapéu e saí de casa. Voltei à praia onde tinha estado com a Duffy, de manhã e avistei ao longe uma figura que me era bastante familiar. Quando me aproximei vi, claramente que era o André que, sentado numa rocha, atirava pequenas pedras ao mar, revelando uma tristeza e mágoa  invulgares nele.
Estendi a toalha e dirigi-me à rocha onde ele estava. Pus-me atrás dele e abracei-o. Quando olhou para trás, foram notórias as lágrimas que corriam pela sua face como uma chuva no deserto.
Quase sem acreditar na situação, sentei-me a seu lado e virei-lhe a cara de modo a que ele pudesse olhar-me nos olhos.
- O que se passa, Dré ?- disse num tom sádico, pois eu estava-me a sentir triste por ele.
Eu nunca tinha visto o André a chorar. Calculei que fosse uma situação bastante grave. Uma situação arrasadora para ele.
- Não é nada, não te preocupes.- foi a sua resposta.
- PREOCUPO SIM! És o meu melhor amigo, o meu irmão. Eu não gosto de te ver assim e não vou desistir de saber o que se passa.
Suspirou e disse, simpaticamente.
- Tu nunca mudas, pois não, mana ?
-Óbvio que não.- sorri.
O André contou-me que ele e a Sara haviam acabado e essa era a razão daquela tristeza toda. E o porquê ? Ele encontrou-a com outro... E nem acreditei quando soubem quem era o outro- o Joel. Que se fingia de apaixonado por mim e andava com a namorada do meu melhor amigo.
Determinada a desabafar com alguém sobre o que se passara naquele dia. Decidi contar ao André.