terça-feira, 21 de agosto de 2012

Capítulo 11






O meu mundo desabara bem à frente dos meus olhos. Não me lembrava se era feliz ou triste, não tinha uma personalidade formada e estava perdida dentro do meu próprio ser. Numa vazia cama de hospital, pessoas que seriam da minha suposta família falavam agitadas e nervosas, com um ar preocupado. Olhavam-me com se eu fosse uma pobre coitada que nem o seu próprio nome sabia.
- Párem!- gritei.
Instalou-se um largo e súbito silêncio, ao que a minha mãe interrompeu:
- O que se passa, querida?
- O que se passa?! O que se passa é que eu não sei quem sou, quem conheço, quem amo!
Engoliu em seco e não proferiu uma palavra que fosse.
O médico entrou na sala onde me encontrava e pediu que todos se retirassem, em seguida dirigiu-se a mim e disse:
- Veja se consegue descansar, menina Gonçalves.
- Tentarei...
Saiu.
No meu telemóvel marcavam 3h quando olhei para ele, no meio da noite. 13 chamadas perdidas de alguém que eu nomeei como '' melhor amigo @ '' nos contactos. Mesmo sabendo que provavelmente estaria a dormir àquela hora, liguei-lhe.
- OMG, ANDREIA? JÁ TE LEMBRAS DE MIM?
- Não.
- ESTOU TÃO PREOCUPADO CONTIGO!
- Acredito que sim. Olha, quem é a Deolinda? Tenho umas mensagens deveras intrigantes dela.
- Oh... Ela... Ela... Ela é... Era...
- Desembucha.
- Era a tua melhor amiga.
Um silêncio instalou-se e só me veio uma coisa à cabeça ''morte''.
- Porque ''era''?
- Vocês chatearam-se.
Suspirei com uma parte de alívio por não ser o que eu pensava.
- P-p-porquê?
- Ah! Não interessa.
- André!
- Andreia!
- Ok, xau.
- Espe...
Desliguei a chamada, interrompendo-o.
Levei as mãos à cara e reparei nos tubos que se encontravam em ambos os meus pulsos, num ato de raiva e revolta com o que sucedera, arranquei-os a ambos, levantei-me furtivamente da cama. Ainda com a ''bata'' de hospital, saí do quarto a correr, olhando para todo o lado, procurando uma saída possível.
Saí do hospital e fui até um parque perto dele, sentia-me fraca, deitei-me em baixo de uma árvore e adormeci.
(...)
Acordei com um encantador, com uns olhos castanhos brilhantes e um sorriso perfeitamente brilhante a olhar para mim.
- Então, não te lembras de mim.- sorriu.
- Não.- sorri.
- Sou o Joel, o teu namorado.
O meu pensamento congelou e tentei lembrar-me de momentos passados com ele, tudo o que me veio à memória foi um colar com símbolo de infinitos partido e um rapaz com um skate. Não me parece que nenhum deles se encaixe com o Joel.
- Andas de skate?
- O quê?- inquiriu, confuso.- Não!
- Oh...
- Se quiseres aprendo por ti, linda.
- Talvez um dia.- Pisquei-lhe o olho.
Chegou perto de mim e acariciou-me o cabelo, quando me ia a beijar alguém gritou: '' Não! ''
- O que queres, André?!
- Estragar o momento.- um sorriso cínico formou-se.
- Não te atrevas a...
- O QUE SE PASSA?!- perguntei.
- Passa-se que te amo.- respondeu o André.
O meu batimento cardíaco acelerou, não sabia o que se passara. Não conhecia nenhum daqueles rapazes. Não sabia as suas intenções comigo ou que sentimentos nutria por eles. A dúvida apoderou-se da minha mente, lentamente perdi os sentidos. A última imagem que vi foi o André a correr até mim.



Sem comentários:

Enviar um comentário